domingo, 21 de setembro de 2008

Metades


E que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo que o que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que grito, mas a outra metade é silencio.

"Metade", Música de Oswaldo Montenegro


Tantas vezes fui incapaz de ver o óbvio. Tantas vezes já me deixei calar por desacreditar na vida, nas pessoas. Tantas vezes não entendemos o que nos acontece, como se uma venda nos cobrisse os olhos, por deixar que emoções destrutivas consumam nossa força. Acredito muito na "lei do plantio e colheita", acredito na superação de situações, de sentimentos, de frustrações. Já errei demais - e sei que ainda errarei -, já disperdicei muita vida. Hoje, a maturidade me trouxe a tranquilidade de saber quem eu sou, do que gosto e como gosto. Isso faz com que eu veja as "curvas da vida" como algo natural, parte de tudo... uma parte importante, inclusive. Se eu não tivesse sido incapaz de perceber certas coisas, hoje não teria uma percepção tão aguçada; se não tivesse desacreditado tanto, me decepcionado tanto, os dias de hoje, com certeza, não seriam tão valorizados, não tentaria tanto me por no lugar "do outro", não assumiria para mim mesmo - o que é o mais difícil - que eu também decepciono as pessoas. Tudo isso faz parte; todavia, o que não faz parte é calar sempre, desanimar, achar que tudo é injusto, pois, injusto é ter pena de si mesmo, por a culpa dos nossos fracassos nas pessoas, nas circunstâncias. Só quem tem a esperança, paciencia e zelo para peneirar consegue achar ouro no fardo garimpo da vida. Por isso continuo sempre; por isso, mesmo quando paro, não desisto, mesmo quando tudo parece perdido ainda tento enxergar o melhor da vida e das pessoas. Porque metade de mim é o que penso, mas a outra metade é um vulcão!



Obs: Essa última frase também é da música. A minha preferida.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Desejos

Há desejos que vão e vem com tanta rapidez que se quer nos damos conta que eles existiram; outros, porém, duram por dias, semanas... E realizar (ou saciar) um desejo nem sempre é tarefa fácil. Às vezes requer ajuda de terceiros, ou, quem sabe, o aval da nossa consciencia. Há desejos também que bloqueamos; é, isso mesmo!... Algumas vezes nosso ego fala mais alto, ou nosso medo. É o tipo de desejo que vem sempre acompahado de sua amiga, e consorte, a oportunidade! Outro que também faz questão de partcipar "desse jogo", é o tempo. Daí por diante começa a batalha. De um lado a oportunidade e o tempo; do outro, o nosso ego e nosso medo de errar; e no meio, o solitário desejo. A oportunidade e o tempo dizem que o desejo deve ir rápido para o lado deles, pois o tempo é curto e as oportunidades não devem ser disperdiçadas. Já o ego e o medo dizem que não, que é melhor previnir, não correr riscos. Nesse momento a cabeça vira um turbilhão de dúvidas! Daí pra frente cada um ouve quem quer, ou o que quer. Eu, particularmente, já ouvi demais meu ego, meus medos... aprendi que na vida se não formos amigos do tempo e das oportunidades, seremos inimigos! Ouvir a razão, a consciencia, é bom! Mas, disperdiçar vida é tolice! É aquela velha história: "Melhor se arrepender do que fez, do que ser frustrado pelo que deixou de fazer!" É clichê, é simplória, mas funciona! Você já viu o clip da música "desejos" de Frejat? Ih, muito bacana! Não me refiro aqui a esse clip por ser algo romantico, não! Falo da vontade de realizar do personagem, do "fazer as coisas acontecerem". No clip, ele não conseguiu realizar seu desejo, mas, correu atrás, fez valer a garra de quem busca e não fica apenas pensando... ele pagou o preço do seu desejo, do seu sonho, da sua vontade... Só não deixou que seu ego e seus medos decidissem por ele. E isso já faz toda diferença na vida!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Educação, um bem em extinção

Se tem uma coisa que eu admiro nas pessoas é a educação. Não estou falando de "etiqueta" ou "um bom currículo"; não, bem pelo contrário. A educação a que me refiro requer muito mais que APENAS isso. Requer cultura, cordialidade, atenção, respeito, carinho, sensibilidade - valores! -. Hoje em dia, confesso, nenhum outro elogio faz tão bem ao meu ego quanto o "você é educado". Esse é um bem que eu persigo com veemencia em minha vida. Muita gente também confunde educação com "fazer média"; errado! É justamente o contrário. A verdaddeira educação não suporta falsidades, pois a frente de tudo vem a consciencia da igualdade entre as pessoas, a espontaneadade. Na vida já fui de tudo um pouco, de empregado a empregador, de gastador a liso, de janota a perrapado; já fui tratado com muita cordialidade e também com extrema desdém, tudo por conta da minha aparencia no momento, ou função que exercia. E o engraçado é que não dá nem pra olhar pra trás e ficar chateado, pois, hoje em dia me pergunto quantas vezes também já não fui mais um fútil na multidão, ou um total desprovido de cultura. Mas, o mais importante é "crescer", aprender com a vida, com as situações, com as pessoas. Já parou pra pensar que aquela pessoa que pára ao lado da mesa do bar, do restaurante em que você está sentado, está se sentindo inferiorizada - erradamente, diga-se de passagem -, por estar ali como ambulante, quase suplicando para que você compre algo dela (quase sempre de valor irrisório)? Seja honesto! Quase nunca pensamos nisso no momento que está acontecendo, até porque geralmente estamos no meio de amigos, entretidos, bem longe do mundo daquela pessoa. E lembra também da cara que fazemos? Aquela cara azeda, sem graça, e dizemos, quase sempre, apenas, "obrigado"; isso na melhor das hipóteses, porque a maioria absulota apenas impoe um ar de superioridade e gesticula com a cabeça negativando, outras apenas fingem que não é com elas, viram o rosto. Mas, e se fossémos nós aquele vendedor, vendedora, o que gostaríamos de ouvir quando alguém não quisesse nos comprar? Eu, por exemplo, gostaria muito de que, primeiro, me dessem atenção, respondessem meu cumprimento, e depois me sorrissem um sorriso de cordialidade, dizendo, "Infelizmente não vou querer hoje, mas muito obrigado." Pegando esse exemplo, lembro-me bem de uma cena que até hoje vive em minha mente, de uma senhora bem vestida numa mesa ao lado da minha, num barzinho na ferinha de tambaú, de quando ela olhou para a vendedora com um sorriso encantador, tomou a cesta de flores na mão, e disse, "suas flores são lindas, parabéns. Pena que eu não tenha alguém tão especial quanto elas para presentear. Mas obrigado por vir aqui até aqui, você foi muito gentil." Eu fiquei maravilhado com a educação daquela mulher, completamente encantado com sua educação! Se vocês pudessem ver o tamanho do sorriso que a vendedora estampou no rosto, e o tanto que ela estufava o peito enquanto percorria os corredores do bar, entre as outras mesas, aquilo era felicidade! E por qual motivo mesmo? Respeito, carinho, atenção, cordialidade, cultura; em outras palavras, "educação". Até hoje me pergunto se aquela senhora faz idéia de que mudara completamente a noite de uma outra pessoa usando apenas a sua educação, que a fizera se sentir mais humana, mais digna, mais feliz.

"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo" (Provérbios 25:11)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O que faz você feliz?


Hoje me fiz essa pergunta, e a resposta me fez rir bastante de mim mesmo.

O que faz você feliz?
Por o despertador pra despertar duas horas antes do horário que deveria, só pra ter o prazer de saber que "ainda tenho duas horinhas!";
Ficar quietinho esparramado no sofá enchendo a pança de guloseimas e assistindo tv;
Deitar na areia da praia a noite sonhando com meu futuro barco, com todas as madrugadas bacanas que vou passar nele, planejando o que fazer e tentando imaginar com quem estarei;
Passar Vick Vaporub no nariz antes de ir dormir;
Assistir os desenhos do pica-pau nos finais de tarde;
Saber que tudo não acaba com a morte;
Ir ao cinema;
Ter um cachorro;
Escrever;
Ter um sonho bom e passar o resto do dia relembrando...;
Ajudar quem me ajudaria, quem não ajudaria, quem ainda nem existe;
Estar perto dos amigos verdadeiros, saber que posso contar com eles e eles comigo;
Falar a palavra certa, na hora certa, pra pessoa certa;
Ter um amor;
Ter crise de risos;
Ouvir The smiths;
Ser provocado e resistir, sentir que sou muito melhor do que tudo aquilo;
Conversar com meu anjo da guarda, conversar sozinho, conversar com Deus;
Andar de moto pela madrugada a fora sem destino;
Ter a consciencia de que a vida é boa, é simples, e é para todos;
Abraçar quem eu amo;
Superar meus medos, meus pecados;
Esquecer dos meus problemas, lembrar das minhas vitórias;
Xi.. tanta coisa me faz feliz. E saber disso já me faz feliz.

Como diria Belchior: "Deixemos de coisa cuidemos da vida, se não chega a morte, ou coisa parecida, e nos arrasta moço sem ter visto a vida!"


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

É preciso ter feeling


Que um casal para ser feliz precisa ser cúmplice, disso ninguém duvida. Mas de que é feito a cumplicidade? Sentimento e carinho? Carinho e diálogo? Sentimento e confiança? Difícil tentar definir assim numa soma. Para mim, um casal cúmplice é aquele que confia no outro, no sentido mais amplo da palavra. Confia no sentimento, no respeito, na fidelidade, no caráter. Confia em se abrir numa conversa franca, numa conversa boba, num olhar. Para ser cúmplice, acredito, não precisa de muito tempo junto, de muita conversa, de muito amor. É preciso ter feeling, ter cheiro, ter tato, ter segurança. E assim são os cúmplices, com suas "porcas tortas" para os respectivos parafusos. O encaixe ideal, a forma mais simples e eficaz de ser feliz em parceria. É, uma parceria. Não adianta dizer que um é dono do outro, isso definitivamente não existe. Ninguém é dono de ninguém na vida; e que bom que é assim! É como alguém já disse: "Perfeito é quando se possui alguém sem precisar ser dono dela. Saber que o que prende ela ali ao seu lado é você, não promessas." Isso é liberdade, é cumplicidade, é estar junto, é ser junto... Não sei, talvez não existam palavras pra dizer o que representa certas coisas na vida. Então, melhor nem ficar tentando explicar o que não quer, e nem precisa, ser explicado. Parabéns aos que possuem essa dádiva, e aos que a perseguem também. E zele por isso. A conquista é diária, prazerosa, nem sempre fácil, mas sempre gratificante!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Uma vida na prática ou duas na teoria?


Ontem estava na casa de um amigo e ele me mostrou um dvd de uns americanos "loucos" com suas motos idem. Rimos muito das leseiras, das quedas, das façanhas dos caras; mas, principalmente admiramos a alegria com que eles faziam tudo, pareciam um bando de crianças brincando no pátio da escola sem maiores preocupações com o mundo lá fora. Então o meu amigo disse, "a sociedade olha esses caras com repulsa, os chamam de idiotas; eu não, pra mim eles sabem é viver, isso sim!" Eu apenas respondi, "isso!" Mas por dentro eu me alegrei em ouvir aquilo, em saber que outra pessoa pensa, e via, as coisas de uma forma bacana, como quase sempre tento fazer.
Desmistificar alguns paradigmas da vida é importante; viver o lado romantico da vida (como diria meu amigo Rodrigo - o Poeta) é preciso; mas, viver tudo isso na prática é ESSÊNCIAL! Já perceberam que só damos valor a saúde quando estamos doente, que só damos valor aos domingo quando temos q trabalhar num deles? É sempre assim, é a "dislexia congenita e generalizada" para as coisas boas da vida que assola a maioria de nós. Até quando vamos viver duas vidas? - Uma na teoria, outra na prática.

Já tentei fazer uma viagem de uma semana por três estados do Nordeste com apenas 30 reais no bolso (desisti no primeiro, é verdade, mas tentei!); já desenrolei todo carretel da linha da pipa só para ve-la indo embora; já tentei pisar em brasa pra ver se a dor era psicológica; já pulei na água em alto mar, mesmo morrendo de medo; já fiz pacto de sangue; já entrei em curvas a 140km/h (isso sim é idiotice!); já passei 4 dias e três noites sem dormir; já passei madrugadas na esquina da rua com um amigo (tão louco quanto eu) cantando músicas de Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, se deliciando de todo aquele besteirol, sabendo que no outro dia os vizinhos íam nos "olhar atravessado", e pouco nos lixando pra isso! Ah, tanta coisa! E minha lista ainda de coisas a fazer antes de morrer mal começou! (hehehehe) E não pensem que vou ficar esperando "os últimos cinco minutos na lan house" para fazer cada uma delas - de jeito nenhum, a hora é agora!

Quem quiser continuar vivendo um falso moralismo, aceitando os paradigmas da sociedade, "o certo e o errado" que nossa cultura nos empoe às vezes, que viva! Eu não, prefiro sonhar acordado, questionar as coisas, por minhas loucuras em prática. E cá entre nós, isso não é difícil, muito menos trabalhoso. Pelo contrário, é um prazer!

Termino com uma frase que dizem ser de Bob Marley, ela que resume bem as coisas:
"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu riu de vocês por serem todos iguais!"




segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pelo motivo certo


Às vezes busco demais as coisas e acabo passando dos limites. É fundamental entender o motivo certo pelo qual se faz, ou se busca, cada coisa. Me pego correndo como um louco pra cima e para baixo, vivendo no limite do meu corpo, do meu estresse, e esqueço que acima disso tudo há um motivo maior, o qual devo manter sempre a frente do que faço. O motivo, claro, é minha fé. É respeitar os limites do bom senso, dos preceitos em que acredito. Mas só percebo isso quando as coisas começam a dar errado - como quase todo mundo -, daí então me pergunto, "o que está faltando para as coisas darem certo?" A resposta é fácil, ela sempre esteve ali comigo, mas reconhecer é difícil. É difícil reconhecer que me afastei das coisas em que acredito e digo viver por elas. Mas, "a natureza", como qualquer boa mãe, sempre me dá uma segunda chance, uma terceira... quantas for preciso para que possa entrar nesse "cabeção" duro, o óbvio. O óbvio que não é o trivil, não nesse caso, porque é divino, é santo, é imensurável. Pode parecer que estou me lamentando, mas não, estou sim é agradecendo o espelho que o criador colocou diante de mim, que faz com que, por mais que eu tente, eu não consigo deixar de enxergar. E esse espelho me mostra quem eu sou, não de fora pra dentro como qualquer espelho comum, mas de dentro pra fora, pondo meu eu ao avesso, colocando minha vida diante de mim, sem subterfúgios, sem duplicidade. Então sinto que é hora de acertar os ponteiros, rever meus atos, reaver minha fé! Daí em diante o mundo parece começar a conspirar novamente a meu favor, volto a trilhar o caminho certo, pelo motivo certo, na companhia certa!