domingo, 23 de novembro de 2008

Um dia de domingo


São 05h47min, manhã de domingo. Acabo de chegar em casa, a manhã está linda, dificil não vir no caminho até casa sem entrar em sintonia com tudo que nasce com a manhã. É o sol que, timido, tenta se esconder entres os predios, o vento que ainda insiste em parecer frio, as pessoas que começam a sair de casa pra mais um dia de trabalho. E é sobre essas pessoas que quero falar. Fiquei impressionado ao longo do trajeto até minha casa com a quantidade de pessoas indo para o trabalho (ou trabalhando) com que cruzei. Pessoas humildes que trafegavem as margens da BR; pedestres, alguns carregando coisas na cabeça, bolsas nas costas, empurrando carrinhos de mão, outras muitas em suas bicicletas. Me pus a imaginar o que estaria se passando na cabeça de cada delas, suas diferenças, particularidades, espectativas. Percebi que uma coisa todas tinham em comum: um olhar distante. Pareciam afundados em pensamentos - um transe, talvez. E por mais que eu tentasse não conseguia ir além do aparente, estavam blindados por sentimento qualquer, talvez esperança. Lembrei que quando eu chegasse em casa iria logo dormir, provavelmente até as 14h00 e tanta coisa essas pessoas teriam produzido durante esse tempo. Batalhadores, guerreiros que lutam por suas vidas e pela de suas famílias. Provavelmente pouco reclamam da vida, tão pouco do trabalho que os faz acordar tão cedo em plena manhã de domingo. Logo lmbrei que havia visto durante a semana num telejornal uma matéria que falava que auditores fiscais - os quais tinham salários de mais de 15 mil reais - haviam conseguido aumento de mais de 50%. E quanto aquele "João" e aquela "Maria" que cruzaram comigo ao longo do caminho para casa deveriam ganhar? Qutrocentos, quinhetos reais? Talvez até menos. Que trabalho - lhes pergunto - pode ser 40, 50 vezes mais valorizável, dignificante, intelectual, perigoso que outro? Não consigo imaginar tamanha disparidade, muito menos achar alguma justiça nisso. Aí é que fica cada vez mais claro que precisamos muito mais que "Lulas" e "Obamas" para diminuir a desigualdade no mundo. O planeta precisa mais de um cada de nós, da nossa voz (do nosso grito!), da nossa luta e do nosso exemplo. Os guerreiros já estão no campo de batalha, agora só nos resta escolher que estandarte levantar.

Boa semana!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Filosofia de Botequim (Parte II) - Mototerapia


Confesso que não costumo perder meu tempo tentando responder aquelas velhas perguntas - quase que filosofais - que intrigam a ciência e a humanidade há milenios, como, por exemplo, "existe vida após a morte?", "de onde vinhemos? para onde vamos?", "quando o mundo vai acabar?", etc. Mas, ontem enquanto andava de moto pela BR, vislumbrando um por do sol belíssimo, me passou pela cabeça que a qualquer momento eu poderia cair (por um motivo banal como tomar um trancão, um pneu estourar, etc.) e morrer. Assim mesmo, do nada! Pessoas morrem todos os dias por motivos assim, banais, casuais. E me perguntei, "e depois?". Acabou sem segunda chance? E o que deixo? Simplesmente evaporo? Desapareço e pronto? Não! Certamente que a natureza tão caprichosa, perfeccionista e complexa como é, não seria madíocre a essa ponto. Daí algum discrente diz, "muito fácil dizer que Deus existe e atribuir a ele todas as respostas..." Eu discordo completamente desse pensamento. Não só por ser cristão, mas por achar que fácil mesmo é dizer que tudo veio de um "bigbang" e tudo um dia termina e "game over!". Difícil mesmo é absorver um pouco da fé que move montanhas, da verdade que transforma pessoas, coisas e o mundo. Por isso sigo firme na minha convicção e ideologia. Sei que não sou um bom cristão, mas tenho a certeza que indagações destrutivas (mas necessárias) só tem espaço em minha mente apenas para ratificar a razão pela qual acredito que tudo se move. E posso não ter feito uma grande descoberta, tão pouco ter sido original em minhas conclusões, mas, tenho certeza que fui fiel a mim mesmo, ao meu anjo, e a minha fé. E isso é bom! São meus momentos, combustível para minha alma.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A salada da vida (Parte I) - O encontro e a perda




Duas coisas bem distintas mas que, todavia, insistem em fazer parte uma da outra. Pode ser um amor que se encontra, um amigo, um filho, etc... mas um dia, inevitávelmente, a perda virá. E o que fazer? Desacreditar na felicidade por sua volubilidade? Desapegar-se numa tentativa de proteger-se do por vir? Ou apenas aceitar as coisas como elas são? A terceira opção me parece mais sensata. Eu diria até que aceitar é pouco. Acredito que deve-se mesmo é entender que a natureza é perfeita, que a vida (agora) é uma escola, um lugar para evoluir, um campo onde um dia o fazendeiro virá para separar o joio do trigo, os homens que cresceram dos que dimuiram. Por isso é louvável que assim seja a vida, feita de encontros e perdas. Nem sempre é fácil perder, principalmente quando se ama. Mas aceitar com resignação os preceitos da natureza é compartilhar um pouco da essência de sua sabedoria. Por isso cada instante precisa ser mágico, precioso, nunca se sabe quando tudo se dissipará. Assim, o que parece ser trágico se transforma em evolução. O que ensaia ser sempre um novo recomeço se confirma como sendo tão somente "o novo" (do Lat. novu - renovado). E o passado deixa de ser passado para se tornar nossa história. E entender que as perdas virão passa a ser também a certeza de que logo depois virá o novo, O RENOVADO! E isso é sensacional =)